Machu Picchu: alternativa barata, com natureza e aventura!

Dicas

Machu Picchu: alternativa barata, com natureza e aventura!

Dicas

por Eduardo Guollo de Melo — Postado em 17 de Dec de 2015

Já pensou em ir a Machu Picchu e voltar a Cusco da maneira mais barata, sem repetir o trajeto, caminhando pelos vales entre as montanhas, com cachoeiras, natureza, e muita aventura? Desafie a si mesmo e encare este trajeto. Quer saber mais? Confere nosso relato de 3 dias para ir, curtir, e voltar de MP.

No post anterior (click aqui) comentamos diferentes maneiras de chegar ao MP saindo de Cusco, desde a forma mais fácil a mais difícil. Claro que, quanto mais fácil, mais caro. Nós, como gostamos de inventar moda, acabamos por fazer uma rota diferente do usual a qual nomeamos “Live, Love and Travel”, uma mistura de barato, com aventura e sofrimento, ou seja, é o que vamos relatar neste post.

NÍVEL LIVE, LOVE AND TRAVEL!

Mas piazada, o que é esse mix de barato, com aventura e sofrimento? Então, nossos 3 dias em MP foram assim:

DIA 1:

Reservamos a van ou minibus, como chamam no Cusco, que vai para a Hidroelétrica, por 40 soles, levando uma surra de cadeira por 7 horas com algumas paradas durante o caminho. Chegando na Hidroelétrica, já tem logo o trilho do trem e aí é só caminhar por ele por umas 2 a 2:30 horas. O caminho é leve, plano, sem muitas complicações. Tem uma ponte bem maneira pra tirar foto, se quiser se aventurar um pouco (confere na galeria de fotos no final do post).

Detalhe: na verdade era para irmos um dia antes, mas houve protesto nas estradas e ninguém da agencia nos avisou, e ficamos plantados 1 hora na frente da mesma esperando abrir. Por isso, pedimos nosso dinheiro de volta e fomos para outra.

Segunda parada da van.

Chegamos em Aguas Calientes ou Machu Picchu Pueblo já no inicio da noite e pegamos um alojamento barateza, quarto privado, afinal, quando temos planos de acordar cedo e precisamos dormir bem, acabamos por pegar privados ao invés de dormitórios, visto que estavam o mesmo preço (basta procurar). Fomos as compras para preparar nossos poderosos sanduiches pro café da manhã e almoço no dia seguinte, tal como comprar umas frutas.

TOTAL: 40 soles para o transporte.

DIA 2:

Para ir ao MP é claro que não pagamos os U$12 (por trecho), afinal, é ridículo esse preço, o transporte mais caro por 20 minutos de trajeto, assim como é ridículo o preço dos trens, total abuso com os turistas, mas, muita gente ainda opta por pagar.

Saímos 5:45 da manhã do alojamento e rumamos andando por 20 minutos até chegar ao portão de entrada, onde ali conferem seus tickets apenas, pois não é o portão principal. Então, começamos a subir a escadaria, onde se leva em torno de 40 minutos a 1 hora. É pesadinha a subida, portanto, levem poucas coisas na mochila, apenas o necessário para passar o dia.

Chegando no portão principal, encontramos aquele batalhão de turistas, e claro, descartamos o guia, pois gostamos de ir conforme nossa dança. Quando entramos estava todo encoberto pelas nuvens e mal se podia ver as coisas. Portanto, já iniciamos fazendo todo ao contrário e rumamos direto ao SUN GATE, ou portão do sol. Legal que enquanto íamos para lá, os que vinham de alguma trilha (acho que a Inca), estavam descendo, e vendo tudo fechado e encoberto.

Machu Picchu todo encoberto.

TCHARAMMMMMMMMMMMMM!!! Quando chegamos lá em cima, começou a abrir tudo, e tivemos altos visu de lá, ficamos um tempo apreciando e tirando fotos. Quando começamos a descer, vimos um guia que nos parou e nos mostrou o filhote de urso e sua mãe nas montanhas, onde perdemos alguns 15 minutos olhando e tirando fotos, e claro, cada pessoa que passava por lá compartilhamos o momento também, afinal, QUANDO VOCÊ ESPERA VER UM URSO NO MACHU PICCHU??? Somos sortudo... Lembram? Era pra tudo ter acontecido um dia antes, mas quando é pra ser, acontece.

Mãe e Bebe urso.

Enfim, já estávamos até cansados, o tempo abriu, o sol esquentou, descemos rumo a parte mais turística, vimos lhamas e fizemos selfie com elas, claro, mas não fizemos a foto clássica onde todo mundo fica em fila para tirar, pulamos esta parte. Cruzamos a cidadela e rumamos a entrada de Huayna Picchu, onde tínhamos a entrada para as 11 horas da manhã.

A subida do Huayna é mais puxada que da entrada do MP, mas, a recompensa lá de cima é muito maior. No meio do caminho vimos um casal de jovens, em torno dos 70 anos descendo, com toda aquela disposição, portanto, porque não iriamos? Só nos deu mais vontade de subir. Esta subida levamos em torno de 1 hora a 1:20 horas, contando que alguns lugares são mais complicados, e o sol do meio dia tacando o pau!

Depois de descer, eu (Edu) já estava exausto e o Wag ainda foi em direção a ponte inca, o que ele não achou nada demais, então, não me sinto mal em ter perdido esta hahaha! Enfim, pra passar tempo comprei a coca mais cara da VIDA! 10 soles por uma lata, mas tomei com tanto gosto, pois estava geladinha, que valeu a pena!

Vista do topo de Huayna Picchu.

Quando o Wag voltou, começamos a descer para voltar a Aguas Calientes e nesta altura do campeonato os joelhos e pernas já estavam mortos. Acredito que levamos mais 1 hora para voltar até o dormitório, que chegando lá, não esquentava a agua, pegamos nossas mochilas e vazamos! Procuramos outro lugar para ficar e enfim descansar pro terceiro dia, que seria o mais pesado de todos.

TOTAL: 152 soles para entrada de MP e Huayna Picchu.

DIA 3:

Preparamos novamente os lanches para a viagem que seria longa e deixamos Aguas Calientes por volta de 6:50 da manhã no KM 110 da linha do trem. Logo no inicio do caminho vimos vários “mulas”, carregadores de mochilas e coisas, correndo com todo aquele peso nas costas, eles que vem da trilha Inca. Nos perguntávamos várias vezes “Porque não fazem um carrinho para carregar, ou outro método que não seja todo nas costas?”.

Enfim, logo depois paramos em outra Hidroelétrica para tomarmos nosso café da manhã. Andando mais um pouco vimos à entrada ou saída do caminho Inca (depende do sentido), vimos algumas ruinas nas montanhas, vários trens passando por nós, passamos por vários tuneis bem de boa, pois dava para enxergar a luz no final de todos eles.

Ponte que ligava ao caminho Inca.

A maioria do trajeto também é tranquila, sendo pouca subida para 28 km, o que torna um trajeto quase plano. A parte ruim ficou para o final onde não havia marcação de terra, ou seja, caminhando pelos trilhos e pelas pedras, o que após 9 horas andando não ajudava muito. No meio do caminho encontramos um lugar maneiro, para dar uma refrescada e em seguida para fazer o almoço e até tiramos uma soneca, pois não haviam muitos “sun flies”, o bicho mais lazarento do mundo!

Pausa pro almoço.

Como todo o trajeto é no vale entre as montanhas, existem cachoeiras ou rios que vem das mesmas em muitos lugares, e em uma delas que também paramos para dar outra refrescada, e o Wag até aproveitou pra deixar aquela lembrança no rio e a ver indo embora. A partir daí o tempo começou a fechar e logo em seguida tivemos que tirar nossas jaquetas impermeáveis e as capas de chuva para as mochilas. Depois que a chuva parou, chegamos na pior parte do trajeto onde tínhamos que caminhar mais pelas pedras do que pelos trilhos ou alguma marcação de trilha.

Wagner dando aquela cagadinha no rio.

Enfim, após quase 10 horas e 30 minutos, chegamos ao vilarejo de Piskacucho, no KM 82. Detalhe, que fomos com o GPS ligado e começamos a nos perguntar se eram realmente 28 km, pois, no GPS parecia que andamos muito mais. No total caminhamos em torno de 29 a 30 km, o que foi bem sofrido. Em Piska pegamos um coletivo local por 5 soles o que nos deixou em Urubamba, e de lá tomamos outra van para Cusco ao custo de 7 soles, e chegamos por volta de 21 horas, podres de cansaço, mas com aquele sentimento de dever cumprido e que valeu a pena.

Trajeto dos 28 km.

TOTAL: 13 soles para transporte.

CUSTO TOTAL POR PESSOA: U$62 dólares ou 205 soles (considerando cambio a 3,36), incluindo a entrada de MP.

OBS: Não colocamos custo de comida, alojamento e happy hour, pois cada um tem um estilo diferente de viagem e isto pode variar muito, mas Aguas Calientes consegues dormitórios por 15 soles por pessoa e para jantar também.

Também descartamos no post as trilhas Inca e Salkantay, pois já são trilhas turísticas com guias e etc, além de caras, em torno de U$150 a U$300.

Mas e ai? Onde está a aventura?

A adrenalina fica por conta dos cachorros territorialistas que encontramos no caminho hahahaha! Víamos um latido e já pegávamos pau e pedras, sendo que um deles quase atacou o Wag em uma parte que acabamos saindo da trilha. Resultado que tivemos que voltar porque o cão não arredou as patas. Com tudo isso, soma-se o desafio de andar 28 km por trilhos, prestando atenção nos trens que vem dos dois lados, além de apreciar um vale cercado por montanhas por todos os lados, onde só se vê e escuta-se a natureza, com exceção dos trens!

Mas não valia a pena voltar pela Hidroelétrica e pegar a van de 7 horas?

Olha, o custo de ida e volta da van era 70 a 80 soles, mas iria fazer o mesmo caminho. As vezes, não é nem pelo dinheiro, e sim pelo desafio. Nós mesmos nos desafiamos a fazer estes 28 km, foi sofrido, doloroso, mas todo o caminho compensou, e sobrevivemos.

Nossa recepção em Piskacucho.

E ai, vai encarar? Qual seu trajeto preferido e que gostaria de fazer? Deixa eu comentário ou dúvida aí pra nós! Não deixe de seguir nossas mídias sociais no facebook e instagram.

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